Posts de abril, 2009

segunda-feira
13 abril, 2009
por Leandro Cervantes

A ascensão dos blogs como meio de discussão e divulgação científica

A crise econômica e “existencial” que atinge atualmente o jornalismo (ou melhor, as grandes e tradicionais empresas jornalísticas) como um todo se estende a quase todos os segmentos especializados da atividade (com exceção talvez da editoria de economia). Porém, como em toda crise, essa situação também traz oportunidades e inovações.

Uma reportagem recente da revista Nature (conteúdo restrito a assinantes) aponta um declínio do jornalismo científico e, por outro lado, a ascensão dos blogs de ciência e das ações de divulgação científica mantidas por universidades, institutos de pesquisa e agências de fomento.

Nos últimos anos, têm aumentado progressivamente o número de blogs dedicados à ciência. Segundo com o site Technorati, um dos principais indexadores de blogs do mundo, existem hoje mais de 2.500 blogs científicos entre os voltados às ciências da saúde e cerca de 20 mil tidos como “pseudocientífico”, já que não são, necessariamente, mantidos por instituições acadêmicas, mas sim por estudantes de pós-graduação, professores universitários e jornalistas especializados, entre outros perfis.

Mas qual a vantagem e atrativos do formato blog para esse tipo de publicação? Justamente a facilidade de, como ferramenta de mídia social, se estabelecer debates e uma rede de conversação em torno dos assuntos postados. Diversos cientistas usam os blogs para postar informação sobre seu trabalho e com isso obter comentários de outros cientistas, sejam profissionais ou “amadores”, como pessoas comuns interessadas no assunto.

Ainda de acordo com Technorati, um dos blogs científicos mais populares atualmente é o Pharyngula, com cerca de 20 mil acessos diários. Entre seus atrativos estão a linguagem informal e o formato leve e informativo dos posts.

Brasil
Por aqui, apesar de menor, esse movimento também já começa a ganhar força. Em agosto de 2008 nascia o Lablogatórios, uma espécia  de “condomínio” de blogs de ciência brasileiros criado pelos biólogos da USP Carlos Hotta e Atília Iamarino. Em pouco tempo a rede já abrigava 24 blogs e em março deste ano foi convidada a mudar de nome e se tornar o braço brasileiro do ScienceBlogs, uma das mais importante redes de blogueiros de ciência, com mais de 60 blogs científicos escritos em inglês.

De acordo com os seus administradores, a audiência dos blogs do ScienceBlogs Brasil está na casa dos 150 mil visitantes por mês, que acessam cerca de 250 mil páginas - algo ainda modesto, se comparado aos grandes blogs estrangeiros, mas em plena expansão. Isso mostra, mais uma vez, a importância e o peso que os blogs e as mídias sociais vêm ganhando nos mais variados campos.

sexta-feira
3 abril, 2009
por Leandro Cervantes

Brasileiro dedica três vezes mais tempo à internet do que à TV

O Brasil está mesmo entre os campeões em tempo de navegação na web. Agora, além do Ibope Nielsen – que aponta o país como um dos que passam mais horas conectados – uma outra fonte vem confirmar esse fato. De acordo com uma pesquisa recente da consultoria Deloitte, os brasileiros gastam, em média, três vezes mais tempo por semana navegando na internet do que assistindo à televisão.

Chamada de “O Futuro da Mídia”, a pesquisa, que foi feita em cinco países (Estados Unidos, Brasil, Alemanha, Japão e Reino Unido) e ouviu nove mil pessoas, traz números interessantes:

  • Enquanto a TV consome, semanalmente, 9,8 horas, a internet fica com nada menos que 32,5 horas semanais;
  • 81% dos cerca de mil respondentes da pesquisa no País apontaram o computador como o meio de entretenimento mais importante;
  • 50% afirmaram que acompanham as últimas tecnologias e os lançamentos de novos aparelhos e que tentam comprá-los rapidamente;
  • 82 horas por semana é o tempo gasto atualmente pelos consumidores utilizando diversos tipos de mídia e entretenimento tecnológico, como o celular;

Com base nesses números, a pesquisa da Deloitte afirma que o “Brasil é um mercado jovem e que apresenta amplo crescimento em termos de consumo de mídia”.

E que os internautas brasileiros tanto fazem na Internet?
Aqui está outro ponto interessante levantado pelo estudo: cerca de 83% das 1.022 pessoas ouvidas pela pesquisa no Brasil disseram criar seu próprio conteúdo de entretenimento, por exemplo, editando fotos, vídeos ou músicas.

Ou seja, pode-se dizer que de todo o tempo gasto na web, boa parte dele é dedicada à produção e compartilhamento de conteúdo na mídias sociais, já que essas fotos, vídeos e músicas feitos pelos próprios usuários muito provavelmente vão acabar publicadas em blogs e sites como o YouTube ou Flickr.

Atualizado em 16/04/2009:

A pesquisa na íntegra está disponível para download no site Tela Viva, dividida em quatro arquivos PDF: O Estado da Democracia na MídiaPublicidadeProdutos de MídiaAtividade Social/Viral.

quinta-feira
2 abril, 2009
por Leandro Cervantes

Marketing nas mídias sociais: investimentos em crescimento

Pelo jeito a crise financeira global não deve intimidar os investimentos em publicidade e marketing nas mídias sociais este ano. Ao menos é o que apontam alguns artigos e estudos de mercado publicados este mês. Apesar de serem relativos ao mercado americano, os números são animadores. Ainda mais no atual cenário econômico.

A consultoria eMarketer, por exemplo, estima que só os anúncios em redes sociais devem crescer cerca 17% em 2009, chegando a 2,35 bilhões de dólares (em 2008 o montante foi de 2 bilhões). Só para comparar (o que na verdade não tem nem comparação), isso é muito mais que toda a verba de anúncios na internet brasileira, que somou 760 milhões de reais em 2008 (segundo o IAB).

Um outro estudo, da Forrester Research, ouviu 114 profissionais de marketing em empresas (americanas) com mais de 250 funcionários sobre seus orçamentos para 2009 e chegou aos seguintes números: 53% dos entrevistados afirmaram que vão aumentar os investimentos em mídias sociais, 42% disseram que vão manter e apenas 5% falaram em redução de gastos com esse tipo de mídia.

Essa tendência é comprovada por um outro levantamento similar, do Aberdeen Group, feito com profissionais de marketing de empresas consideradas “top” em seus segmentos, em diversas partes do mundo.

De acordo com os respondentes, 63% das empresas planejam incrementar os investimentos para mídias sociais em 2009. E desse total, 21% planeja expandir os orçamentos na área em mais de 25%.

quarta-feira
1 abril, 2009
por Leandro Cervantes

Twitter e blogs na sala de aula

Que as mídias sociais estão e estarão cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, disso não há dúvida. A mais nova mostra disso vem do Reino Unido. Lá, o ensino de utilização de algumas ferramentas de mídia social como a Wikipedia, blogs ou o Twitter pode passar a fazer parte do currículo escolar dos alunos do ensino primário.

A proposta faz parte de um novo, e já polêmico, plano de reforma da educação que prevê uma maior liberdade para os professores escolherem as matérias que irão ensinar nos ciclos para crianças com até 11 anos de idade. O projeto sugere que os alunos deverão sair do primário familiarizados com aplicações como blogs, podcasts, Wikipedia e Twitter. Além de saber como usar o teclado do computador e corretores ortográficos.

Se for aprovada, esta será uma das mais “revolucionárias” mudanças no ensino primário do país nos últimos anos, informa o jornal The Guardian que teve acesso ao documento. O plano também enfatiza a educação ambiental e áreas tradicionais, como matemática e inglês, mas estaria deixando em segundo plano disciplinas como história e geografia – o que tem gerado contestações por parte de algumas associações de pais de alunos.

Polêmicas à parte, a iniciativa de atualizar o currículo escolar das crianças e jovens com a inclusão do ensino das aplicações das novas tecnologias de comunicação é muito positiva. Afinal, todos vão acabar usando mesmo de uma forma ou de outra. E se tiverem uma orientação adequada, podem aprender a usar de uma forma muito mais proveitosa, com ganhos para a própria educação e vida social e profissional futuras.

Porém, as ferramentas de comunicação e de mídia social são apenas um meio, uma forma das pessoas se conectarem umas com as outras e compartilharem informações e conhecimentos. E o tipo e a qualidade do conteúdo que será compartilhado é que dependem sim de uma boa educação e formação.

Agora imagine se tivesse uma iniciativa parecida com essa do Reino Unido por aqui. Talvez boa parte dos jovens e adolescentes descobrissem que há muito mais a se ver e fazer na web além do Orkut.