Posts de novembro, 2009

quinta-feira
26 novembro, 2009
por Paulo Henrique Lemos

Mídias sociais, confiança e a importância de dar o primeiro passo

Comunicação corporativa exige planejamento. Na Internet, então, nem se fala. Em ambientes virtuais, a possibilidade de controlar o fluxo de informações simplesmente não existe. As novas moedas de troca são a atenção, a reputação e a influência. Um mapeamento detalhado dos públicos gerais e específicos, universos, principais influenciadores, percepções e métricas relevantes é o ponto de partida para colocar o potencial da comunicação digital a serviço dos objetivos da organização.

Honestamente, há alguma idéia no parágrafo acima que não seja escandalosamente óbvia? Pelo jeito há. É o que se pode concluir observando a maneira amadorística e inconseqüente com que empresas de todos os portes vêm tratando a crescente importância da Internet para os negócios. Enquanto algumas saem criando perfis em mídias sociais sem saber o que fazer deles, outras simplesmente ignoram o assunto na expectativa de uma solução infalível, consagrada e universal para o que julgam ser um modismo, coisa de adolescente desocupado.

Tanto umas quanto outras falham em perceber o verdadeiro padrão por trás de um movimento de mudança irreversível: o fim da comunicação de mão única e a ascensão de relacionamentos fundados no diálogo e na confiança. Não se trata de mais uma tendência. É algo que está acontecendo na prática, e que veio para ficar. Empresas que foram capazes de enxergar e aceitar essa nova realidade já começam a colher resultados pra lá de significativos.

É apenas questão de tempo até que a comunicação direta com o público via canais digitais se torne atividade regular e corriqueira. Por isso é tão importante começar a construir um capital de confiança agora, enquanto as pessoas ainda estão dispostas - e como estão - a recompensar interações mais humanas e verdadeiras.

Quem sair na frente chegará na frente. É hora de dar o primeiro passo. Por exemplo, você já ouviu seu cliente hoje?

segunda-feira
23 novembro, 2009
por Paulo Henrique Lemos

Publicidade é conteúdo; conteúdo é publicidade

O momento da Comunicação Corporativa na Internet é de construção. Dialogar com o público de modo a conquistar atenção, confiança e reputação é o desafio que se coloca diante de empresas e agências. Para desespero de quem busca o conforto da opinião sem o desconforto da reflexão, o cenário é de poucas certezas. Não há gurus, fórmulas milagrosas ou verdades absolutas. Apenas conceitos, tendências, experimentação e, de vez em quando, números.

Números como estes: 8% dos usuários de Internet são responsáveis por 85% dos cliques em anúncios, banners e publicidade online em geral. Mas números pedem interpretação. Mike Masnick, do blog Tech Dirt, nos oferece algumas possíveis, que listo e comento a seguir:

1. A audiência cativa acabou. Quem navega pela web tem literalmente bilhões de escolhas à disposição, e não tem o menor interesse em ser interrompido por publicidade irrelevante.

2. Publicidade é conteúdo. Sem audiência cativa, não é mais possível comprar atenção. Donde, na perspectiva do usuário, não há mais publicidade, apenas conteúdo. E para ter algum efeito o conteúdo precisa ser interessante, útil ou ambos.

3. Conteúdo é publicidade. Releia o item anterior e perceba o outro lado da moeda: todo conteúdo está a serviço de algum tipo de publicidade, no sentido estrito do termo. Para ficar num exemplo simples, blogs que oferecem conteúdo consistentemente relevante resultam em publicidade amplamente positiva para seus autores. Com o tempo, essa atenção tende a se transformar em confiança, influência e reputação, que são - ou deveriam ser - os objetivos finais de qualquer forma de Comunicação Corporativa.

quinta-feira
19 novembro, 2009
por Paulo Henrique Lemos

2010: o ano da primeira campanha global via mídias sociais

A Coca-Cola tem uma perguntinha para o planeta Terra: o que faz as pessoas felizes? Para saber a resposta, a empresa enviará um time de três jovens a cada um dos 206 países onde a Coca é vendida, num percurso que consumirá todos os 365 dias de 2010 e algumas dezenas de milhares de milhas.

A campanha, batizada de Expedition 206, fará uso intensivo das mídias sociais para compartilhar com o público tudo o que o trio de “embaixadores da felicidade” encontrar de interessante. Além de um blog, já estão no ar um perfil no Twitter, uma página no Facebook e canais específicos para vídeos e fotos. Mas do ponto de vista de negócios, as ambições da Coca-Cola para a empreitada não se limitam à mera medição da quantidade e qualidade da exposição da marca.

Em entrevista para a revista Advertising Age, o VP de Public Affairs Clyde Tuggle explica que “o desafio colocado para a equipe de comunicação foi pensar as mídias sociais como uma nova fronteira para as relações públicas da companhia.” Tuggle acredita que o esforço coordenado das áreas de marketing e comunicação vai estimular o desenvolvimento de novas estratégias de comunicação digital nos mercados onde a Coca-Cola está presente - que são todos, suponho, dado que os 206 países da jornada superam por confortável margem os 192 representados na ONU.

O roteiro dos embaixadores prevê participações em grandes eventos, como a Copa do Mundo, na África do Sul, os Jogos Olímpicos de inverno, no Canadá, e a feira mundial de Xangai, na China. Os riscos envolvidos são evidentes e consideráveis. Problemas relacionados à saúde, à segurança e ao trânsito dos embaixadores podem impactar seriamente o cronograma da campanha, e a Coca-Cola admite ter preparado uma série de planos de contingência para situações inesperadas.

Em todo caso, no que se refere especificamente ao uso das mídias sociais, talvez o maior desafio seja aquele descrito pela própria reportagem da Ad Age: gerar interesse e engajamento entre os protagonistas e o fidelíssimo público da Coca. Não por acaso, o domínio de ferramentas e linguagem dos canais digitais foi o principal critério para a escolha do trio. O que, se nada garante, algo promete. Uma campanha em escala global, envolvendo uma marca consagrada e canais onde a experimentação é a regra sugere um rico campo de observação para os profissionais de comuicação e marketing. A ver, a partir de 1° de janeiro de 2010, primeiro dia da próxima década.

quarta-feira
11 novembro, 2009
por Paulo Henrique Lemos

É preciso saber ouvir

Quem acompanha o assunto “mídias sociais” nas mídias sociais (onde mais?) certamente já se deparou com o seguinte argumento: entrar na conversa e ouvir o que as pessoas estão falando sobre a sua marca é uma tremenda maneira de identificar insights e oportunidades para ações de comunicação. Indo mais além, há quem entenda a rica e complexa interação nas redes como um enorme focus group.

Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas que ações concretas nesse sentido estão acontecendo hoje? Qual é o real potencial disso ? Um exemplo singelo vem do outro lado do mundo, literalmente.

Ao cabo de um vôo Londres-Los Angeles pela Air New Zealand, um passageiro chamado Tim Benjamin postou a seguinte mensagem no Twitter:

"Acabo de voar Air New Zealand de LHR (London Heathrow) a LAX (Los Angeles International). Melhor companhia que já experimentei. Comida e IFE (entretenimento a bordo) ótimos. Equipe com permissão para ter personalidade."

Acontece que este tweet não estava destinado a ser apenas mais um dos milhares enviados por minuto em todo o mundo. Alguém na Air New Zealand, que certamente estava atenta à imagem de sua marca na Internet, sentiu que havia uma oportunidade ali.

E parece que havia mesmo: a despretensiosa menção à “personalidade” da tripulação - feita por um cliente comum, em menos de 140 toques - serviu de inspiração para a nova campanha publicitária da empresa. Batizada de “Personality Allowed”, a campanha enfatiza o jeito caloroso, positivo e autêntico dos funcionários da Air New Zealand.

NZ2

"Personalidade Permitida".

Sejam quais forem os resultados da campanha, orçada em £2 milhões, ou R$ 5,7 milhões, há algumas lições a interessantes a notar. A primeira diz respeito à questão da experimentação. Para os negócios, o potencial da comunicação digital e das interações que ela proporciona com os públicos de interesse apenas começa a ser conhecido. Nunca a experimentação com canais, nichos, mensagens, abordagens e métodos foi tão acessível, e é precisamente por essa razão que empresas dispostas a tentar algo novo, ainda que via “tentativa e erro”, vêm colhendo resultados cada vez mais expressivos.

A segunda lição reflete uma tendência a meu ver irreversível: a importância de ouvir, falar e agir como gente, seja à distância, via tecnologia, seja na linha de frente, olho no olho com o cliente. Pessoas querem ser atendidas por pessoas, como pessoas únicas que são, e não como números. Principalmente quando estão pagando por um produto ou serviço. E elas não tem o menor motivo para se contentar com menos do que isso.