Quem acompanha o assunto “mÃdias sociais” nas mÃdias sociais (onde mais?) certamente já se deparou com o seguinte argumento: entrar na conversa e ouvir o que as pessoas estão falando sobre a sua marca é uma tremenda maneira de identificar insights e oportunidades para ações de comunicação. Indo mais além, há quem entenda a rica e complexa interação nas redes como um enorme focus group.
Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas que ações concretas nesse sentido estão acontecendo hoje? Qual é o real potencial disso ? Um exemplo singelo vem do outro lado do mundo, literalmente.
Ao cabo de um vôo Londres-Los Angeles pela Air New Zealand, um passageiro chamado Tim Benjamin postou a seguinte mensagem no Twitter:

"Acabo de voar Air New Zealand de LHR (London Heathrow) a LAX (Los Angeles International). Melhor companhia que já experimentei. Comida e IFE (entretenimento a bordo) ótimos. Equipe com permissão para ter personalidade."
Acontece que este tweet não estava destinado a ser apenas mais um dos milhares enviados por minuto em todo o mundo. Alguém na Air New Zealand, que certamente estava atenta à imagem de sua marca na Internet, sentiu que havia uma oportunidade ali.
E parece que havia mesmo: a despretensiosa menção à “personalidade” da tripulação - feita por um cliente comum, em menos de 140 toques - serviu de inspiração para a nova campanha publicitária da empresa. Batizada de “Personality Allowed”, a campanha enfatiza o jeito caloroso, positivo e autêntico dos funcionários da Air New Zealand.

"Personalidade Permitida".
Sejam quais forem os resultados da campanha, orçada em £2 milhões, ou R$ 5,7 milhões, há algumas lições a interessantes a notar. A primeira diz respeito à questão da experimentação. Para os negócios, o potencial da comunicação digital e das interações que ela proporciona com os públicos de interesse apenas começa a ser conhecido. Nunca a experimentação com canais, nichos, mensagens, abordagens e métodos foi tão acessÃvel, e é precisamente por essa razão que empresas dispostas a tentar algo novo, ainda que via “tentativa e erro”, vêm colhendo resultados cada vez mais expressivos.
A segunda lição reflete uma tendência a meu ver irreversÃvel: a importância de ouvir, falar e agir como gente, seja à distância, via tecnologia, seja na linha de frente, olho no olho com o cliente. Pessoas querem ser atendidas por pessoas, como pessoas únicas que são, e não como números. Principalmente quando estão pagando por um produto ou serviço. E elas não tem o menor motivo para se contentar com menos do que isso.


