Etiqueta: ’comunicação’

terça-feira
12 janeiro, 2010
por Paulo Henrique Lemos

A idade da pedra da comunicação digital

A obsessão por “tecnologia”, “conectividade”, “mídias”, “canais”, “gadgets” e “ferramentas” pode até nos fazer crer que não, mas a verdade é que vivemos a idade da pedra da comunicação digital. O punhado de décadas desde o advento do computador pessoal e do telefone celular é uma vírgula em termos históricos, mas as mudanças observadas foram tanto velozes quanto irreversíveis.

Hoje, estamos falando de uma área em que tudo está por construir. Há muitas dúvidas e poucas certezas. Os conceitos teóricos são poucos, e frágeis ao menor contato com a realidade do mercado. Via tentativa e erro (e não se iluda, é assim só assim), novos modelos de negócio para a web são inventados a cada dia. Literalmente bilhões de pessoas estão interagindo online, num fluxo ininterrupto, produzindo seu próprio conteúdo e reorganizando livremente a abundância de informação disponível para criar novas camadas de significado.

Faça uma pausa aqui e reflita: honestamente, são essas pessoas que devem se preocupar com as empresas ou são as empresas que devem se preocupar com essas pessoas?

A conversação que está acontecendo hoje entre clientes, funcionários, fornecedores, parceiros e investidores sobre as empresas terá enorme influência sobre o futuro do negócio de cada uma delas. Porque empresas, como se sabe, não existem no vácuo, isoladas do restante da sociedade. Empresas são criadas e operadas por pessoas, para servir às necessidades de outras empresas e pessoas - ou pelo menos é isso que me ensinaram. E a evolução das tecnologias ao nosso alcance está tornando a barreira entre o lado de dentro (o antigo “nós”) e o lado de fora (o antigo “eles”) cada vez mais porosa. É questão de tempo até que ela se torne irrelevante e desapareça de vez.

Tudo isso pra dizer o seguinte sobre a presença de empresas e pessoas na web: quando a oferta de produtos e serviços é virtualmente infinita, quem você procura? Com quem você faz negócio? Em quem você confia? Das duas uma: você fecha com quem você ou alguém próximo indica; ou você pergunta à dita “sabedoria das massas” (via Google) quem o mundo indica.

Se o servidor que hospeda este blog fosse morrer amanhã e eu tivesse direito a algumas últimas palavras, seriam estas: a conversação - palavra banalizada como poucas ultimamente - só tem importância porque é dela que nascem e se desenvolvem os relacionamentos; e é dos relacionamentos que nascem e se desenvolvem os negócios.

sexta-feira
18 dezembro, 2009
por Paulo Henrique Lemos

Aviso às empresas: blogueiros são pessoas

Confesso que o uso generalizado da palavra “blogueiro”, me deixa um pouco desconfortável. Além de ser bizarra do ponto de vista fonético, é um rótulo pra lá de dispensável. Um blog pode ser escrito por um estudante, um empresário, um jornalista ou uma dona de casa, por exemplo. Mas não podemos perder de vista que ele é antes de tudo um meio, por onde essas e outras pessoas se expressam livremente. Se começarmos a definir os indivíduos com base no canal que escolhem para dar seu recado, chegaremos a absurdos como “YouTubeiro”, “Facebuqueiro” ou o já existente “Tuiteiro”. Melhor evitar.

Tudo isso pra dizer que ainda há uma enorme incompreensão por parte das empresas sobre como lidar com blogueiros e outros influenciadores. A infinita variedade de nichos, públicos e temas de interesse pipocando na Internet faz com que não exista uma fórmula universal para orientar as ações de comunicação com esses agentes. Donde a necessidade de compreender a linguagem e as expectativas presentes em cada situação para atingir os resultados esperados.

Do ponto de vista do blogueiro, um simples contato de uma grande empresa é uma forma de reconhecimento do seu trabalho e da sua influência junto ao público a que ele se dirige. Por outro lado, ele preza imensamente o capital de confiança que conquistou junto a esse mesmo público, e rejeitará qualquer tipo de interação que possa colocar sua reputação em risco.

Um convite para o evento de lançamento de um novo produto, por exemplo, é geralmente bem-recebido; mas se acompanhado de alguma compensação financeira, mimo ou jabaculê, temos um desastre em potencial. Nos EUA, onde esse tipo de comunicação já faz parte da rotina das organizações, há até blogs dedicados exclusivamente a malhar empresas que quebraram a cara tentando influenciar blogueiros, como o The Bad Pitch Blog.

Observando-se certos critérios, ações que tenham como objetivo estreitar o relacionamento com blogueiros respeitados em suas comunidades trazem ganho para todos os envolvidos, e resultam em aumento qualitativo e quantitativo da visibilidade e em melhoria da percepção junto aos públicos-alvo. Uma das razões para isso é a enorme demanda reprimida por atenção pessoal e interações mais diretas, humanas e transparentes. Aqui no blog já cobrimos casos e mais casos de empresas que estão sendo recompensadas por saber oferecer exatamente isso.

Com base na experiência diária com clientes de vários segmentos, e sem qualquer pretensão de criar uma cartilha de regras definitivas para um modelo de relacionamento em plena construção, gostaria de compartilhar pelo menos três pontos a levar em consideração na abordagem de um blogueiro.

1. Relevância, alcance e credibilidade. Estabelecer relacionamentos com blogueiros obscuros em suas comunidades não só tem pouco impacto para a comunicação como representa um risco para a empresas. Motivo: se o blogueiro não tem um público a quem dar satisfação, seu comportamento se torna ainda mais imprevisível. Ainda assim, a Internet torna fácil, rápido e barato dar atenção às pessoas, independentemente de sua posição em buscas do Google. Faça isso, sem moderação.

2. Condições.
Quaisquer condições que a empresa queira colocar para a interação tendem a ser vistas com desconfiança. Em outras palavras, pode-se pedir a retificação de uma informação incorreta sobre um produto ou dado de mercado, por exemplo, mas o pedido não pode estar condicionado a qualquer ganho ou retaliação. O blogueiro entenderá esses gestos como uma tentativa de comprar sua opinião ou de cercear sua liberdade de expressão.

3. Personalização. Quanto mais personalizado for o contato, melhor ele será recebido. Conhecer o estilo, os temas mas recorrentes, a relação com o público e o perfil do blogueiro fazem toda a diferença quando se inicia uma conversa, especialmente em situações de crise.

Bom, essas são as impressões de uma única pessoa - eu. Uma amostragem muito pequena para um assunto tão complexo como as relações entre pessoas. Mas se eu tivesse que me atrever a dar um conselho, seria este: acima de tudo, ouça, fale e se comporte como gente. O pessoal do outro lado da tela agradece.
quinta-feira
26 novembro, 2009
por Paulo Henrique Lemos

Mídias sociais, confiança e a importância de dar o primeiro passo

Comunicação corporativa exige planejamento. Na Internet, então, nem se fala. Em ambientes virtuais, a possibilidade de controlar o fluxo de informações simplesmente não existe. As novas moedas de troca são a atenção, a reputação e a influência. Um mapeamento detalhado dos públicos gerais e específicos, universos, principais influenciadores, percepções e métricas relevantes é o ponto de partida para colocar o potencial da comunicação digital a serviço dos objetivos da organização.

Honestamente, há alguma idéia no parágrafo acima que não seja escandalosamente óbvia? Pelo jeito há. É o que se pode concluir observando a maneira amadorística e inconseqüente com que empresas de todos os portes vêm tratando a crescente importância da Internet para os negócios. Enquanto algumas saem criando perfis em mídias sociais sem saber o que fazer deles, outras simplesmente ignoram o assunto na expectativa de uma solução infalível, consagrada e universal para o que julgam ser um modismo, coisa de adolescente desocupado.

Tanto umas quanto outras falham em perceber o verdadeiro padrão por trás de um movimento de mudança irreversível: o fim da comunicação de mão única e a ascensão de relacionamentos fundados no diálogo e na confiança. Não se trata de mais uma tendência. É algo que está acontecendo na prática, e que veio para ficar. Empresas que foram capazes de enxergar e aceitar essa nova realidade já começam a colher resultados pra lá de significativos.

É apenas questão de tempo até que a comunicação direta com o público via canais digitais se torne atividade regular e corriqueira. Por isso é tão importante começar a construir um capital de confiança agora, enquanto as pessoas ainda estão dispostas - e como estão - a recompensar interações mais humanas e verdadeiras.

Quem sair na frente chegará na frente. É hora de dar o primeiro passo. Por exemplo, você já ouviu seu cliente hoje?

quarta-feira
14 outubro, 2009
por Paulo Henrique Lemos

Redes sociais, meios e fins

Para ler, refletir e compartilhar:

“Qualquer empresa que tenha um produto usado por milhares de pessoas já tem uma comunidade. As questões-chave são: nós vamos participar da conversação em um esforço para guiá-la ou influenciá-la ou vamos fingir que nada está acontecendo? Faz sentido abrir as fronteiras da companhia para que mais pessoas possam ter acesso ao conhecimento de fora e vice-versa? É claro que faz.”

“Não esteja amarrado à ultima tecnologia ou palavra da moda. Mídias sociais são meios para um fim, ao permitir que os stakeholders criem valor juntos. A empresa deve se engajar com uma sólida compreensão do que está tentando realizar, e alavancar suas comunidades para acelerar o impacto esperado.”

“Você cometerá erros. Mas se você está sinceramente preocupado em contribuir com a comunidade, sua autenticidade prevalecerá e você será perdoado.”

Lúcidas palavras de Zia Yusuf, vice-presidente executivo da SAP Global Ecosystem, em entrevista à Forbes. Especialmente oportunas num momento como o atual, em que o deslumbramento com ferramentas e tecnologias domina a discussão sobre o papel e o real valor das redes sociais para o negócios.

Em meio a tanto ruído e desinformação, é fácil perder de vista que comunicação de qualidade se constrói com atenção, honestidade, valor e clareza de mensagens, métodos e objetivos. Sejam quais forem seus públicos, canais ou estratégias, acredite: essas coisas não só não saíram de moda como nunca foram tão apreciadas.

Em tempos de informação abundante, livre e ubíqua, reputação é quase tudo.

segunda-feira
19 janeiro, 2009
por Leandro Cervantes

Campus Party 2009

Começa nesta segunda-feira, 19, em São Paulo, a Campus Party 2009, encontro mundial de tecnologia, conteúdo digital, interação e entretenimento em rede. O evento, que vai até o domingo, dia 25, no Centro Imigrantes de Exposições, reúne neste ano quase 6 mil participantes (dos quais, boa parte deverá ficar acampada no local do evento durante toda a semana) e espera receber cerca de 300 mil visitantes, segundo os organizadores.

Os assuntos abordados vão desde blogs e mídias sociais até astronomia e robótica, passando por fotografia, design, música, software livre, e desenvolvimento. A programação inclui palestras, oficinas e debates, além de uma área de lazer e exposição - aberta ao público - com os últimos lançamentos e novidades dos patrocionadores do evento. As inscrições para participantes com computadores estão encerradas, mas ainda dá para participar das atividades gratuitas da área de visitação.

Eu e parte da equipe aqui do SismoWeb e da CDN Interativa estaremos por lá todos os dias, acompanhando os principais assuntos, discussões e tendências sobre tecnologia e mídias sociais, com atenção especial para a programação da área batizada de CampusBlog.

A programação geral é bem extensa e vale a pena dar uma conferida nos temas das palestras e debates. Até mesmo para ver o que de principal estará sendo discutido e, assim, poder acompanhar melhor a cobertura do evento, que deverá ser igualmente ampla, com a participação de sites e blogs, profissionais e amadores, além da mídia tradicional.

Apesar de começar oficialmente hoje, a coisa começa a pegar mesmo a partir de amanhã, dia 20. Destaque para a palestra de Tim Berners-Lee, inventor de algumas das tecnologias mais importantes para o funcionamento da internet, como a linguagem HTML (HyperText Markup Language) e tido como o “criador da web”, que falará sobre o futuro da internet e Web 3.0, na terça-feira às 13hs.

Confira aqui a programação completa do evento e aqui a da área CampusBlog.

sexta-feira
12 dezembro, 2008
por Leandro Cervantes

As redes sociais, a propaganda e as marcas

Usando números (dos EUA) levantados pela empresa de pesquisas IDC, a consultoria eMarketer publicou na semana passada um artigo sobre a publicidade nas redes sociais que aponta que os usuários de sites de relacionamento querem sim se comunicar (e muito) uns com os outros, mas não necessariamente com marcas.

A opinião da eMarketer, no entanto, deve preocupar mais as próprias redes sociais do que as empresas interessadas em participar desse universo. Os dados da IDC, apesar de serem relativos aos usuários dos EUA, servem para dar uma idéia do comportamento dos participantes dos sites de relacionamento em geral:

  • Mais de 75% dos usuários de redes sociais norte-americanos se conectam nesses sites pelo menos uma vez por semana e 57% faz isso diariamente;
  • 61% desses usuários passam mais de 30 minutos por sessão “logados” nas redes e 38% permanecem nelas por uma hora ou mais.

Até aqui tudo muito bem, mas a eMarketer destaca outros dois dados não tão, digamos, estimulantes (na opinião dela) para quem pretende anunciar nos sites de relacionamento:

  • Enquanto que 79% de todos os usuários de internet dizem ter clicado em anúncios no ano passado, esse percentual cai para 57% entre os usuários de redes sociais;
  • Apenas 3% dos participantes desses sites acham conveniente que as redes usem seus dados (como informações de contato, por exemplo) para publicidade.

A eMarketer usa esses números, junto com o cenário da crise financeira mundial (sempre ela) para justificar uma redução nas suas projeções de investimento em publicidade nas redes sociais no ano que vem.

Porém, mais do que um suposto desinteresse dos usuários dos sites de relacionamentos em se comunicar com as marcas nas redes sociais, os dados mostram que a publicidade – e não só ela, mas toda a comunicação das empresas e instituições (relações públicas, assessoria de imprensa e serviços de atendimento ao consumidor, por exemplo) – deve ser repensada e muito bem planejada para esse universo. Novas mídias, com produção e consumo de conteúdo de modo simultâneo, exigem novas estratégias.

Talvez o modo como a publicidade tem sido feita nas mídias sociais é que não esteja ajudando. Mas ainda que a propaganda pura e simples de fato não atraia tanto os usuários dos sites de relacionamento, há ainda nesse universo um leque enorme de possibilidades de interação e relacionamento das empresas com seus públicos.

Uma delas é prestar atenção ao que os seus consumidores estão dizendo sobre seus produtos e como isso antecipar ações de resposta e de melhorias, tanto técnicas quanto comerciais. E isso já é possível hoje com os serviços de monitoramento das mídias sociais, como o que é feito pela CDN Interativa com o SismoWeb.