Etiqueta: ’uso da internet’

terça-feira
19 janeiro, 2010
por Paulo Henrique Lemos

A rua e a mídia, a mídia e a rua

Quem não se lembra deste célebre bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, do STF? A certa altura, Barbosa pede a Mendes que “saia à rua”, e completa: “Vossa Excelência não está na rua, não; Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do judiciário brasileiro.”

Entreveros jurídicos à parte, a questão rua/mídia é a que interessa a este blog. Não faz muito tempo, muitos de nós acreditavam na existência de um lugar distante chamado “cyberespaço”, onde iniciados naquela tal de Internet surfavam com a ajuda de precárias linhas telefônicas.

Hoje, caminhamos a passos largos rumo à conectividade total, em que o acesso à Internet se tornará algo tão banal quanto o acesso à luz elétrica. Duvida? Então pense na velocidade com que a banda larga, o Wi-Fi, as redes 3G e seus filhotes (celulares, notebooks, iPhone, BlackBerry, netbooks) tomaram nosso cotidiano de assalto. É apenas questão de (pouco) tempo até que qualquer indivíduo, em qualquer ponto de ônibus de qualquer cidade, tenha a capacidade de consumir ou compartilhar qualquer conteúdo digital - texto, áudio, vídeo e o que mais for inventado até lá.

Até agora estamos falando basicamente de tecnologia, mas as mudanças realmente interessantes são outras. Basta pensar em eventos recentes onde a comunicação digital esteve em evidência. A eleição de Obama, os atentados terroristas de Mumbai, os protestos contra a fraude eleitoral no Irã e a atual mobilização em torno do socorro ao Haiti demonstraram com riqueza de detalhes como a política, a economia e os negócios já são campos de batalha decisivamente influenciados pelo poder e pelo humor de uma sociedade conectada.

Assim, voltando ao ministro Barbosa e gentilmente discordando dele com quase um ano de atraso, o cenário que temos é o seguinte: a mídia está na rua, e a rua está na mídia. E isto não vale apenas para o ministro Gilmar Mendes, mas para todos nós. A distinção entre esses dois ambientes, que nos foi tão clara por tanto tempo - a ponto de dizermos coisas como “fulana está na mídia” - está vivendo seus últimos dias.

E o que isso muda? Só quase todas as possibilidades de organização da sociedade como as conhecemos. Ninguém é obrigado a gostar destes tempos ditos modernos, mas, como já disse o velho Peter Drucker numa frase surrada, a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo, então mãos e cérebros à obra.

***

Este post é dedicado ao colega e amigo Leandro Cervantes, que passou meses insistindo para que eu o escrevesse. Conseguiu.

segunda-feira
23 novembro, 2009
por Paulo Henrique Lemos

Publicidade é conteúdo; conteúdo é publicidade

O momento da Comunicação Corporativa na Internet é de construção. Dialogar com o público de modo a conquistar atenção, confiança e reputação é o desafio que se coloca diante de empresas e agências. Para desespero de quem busca o conforto da opinião sem o desconforto da reflexão, o cenário é de poucas certezas. Não há gurus, fórmulas milagrosas ou verdades absolutas. Apenas conceitos, tendências, experimentação e, de vez em quando, números.

Números como estes: 8% dos usuários de Internet são responsáveis por 85% dos cliques em anúncios, banners e publicidade online em geral. Mas números pedem interpretação. Mike Masnick, do blog Tech Dirt, nos oferece algumas possíveis, que listo e comento a seguir:

1. A audiência cativa acabou. Quem navega pela web tem literalmente bilhões de escolhas à disposição, e não tem o menor interesse em ser interrompido por publicidade irrelevante.

2. Publicidade é conteúdo. Sem audiência cativa, não é mais possível comprar atenção. Donde, na perspectiva do usuário, não há mais publicidade, apenas conteúdo. E para ter algum efeito o conteúdo precisa ser interessante, útil ou ambos.

3. Conteúdo é publicidade. Releia o item anterior e perceba o outro lado da moeda: todo conteúdo está a serviço de algum tipo de publicidade, no sentido estrito do termo. Para ficar num exemplo simples, blogs que oferecem conteúdo consistentemente relevante resultam em publicidade amplamente positiva para seus autores. Com o tempo, essa atenção tende a se transformar em confiança, influência e reputação, que são - ou deveriam ser - os objetivos finais de qualquer forma de Comunicação Corporativa.

sexta-feira
17 julho, 2009
por Paulo Henrique Lemos

O caso Dave Carroll-United Airlines

No dinâmico ambiente das redes sociais, há tempos se sabe que personagens anônimos e temas dos mais inusitados podem ser catapultados à condição de fenômeno global em questão de dias, às vezes horas. Em regra, esses fenômenos despertam um pequeno interesse inicial, disseminam-se até atingir um pico de popularidade e então começam a ser ofuscados por novos fenômenos, sendo esquecidos pouco depois sem maiores conseqüências.

Mas nem sempre é o que acontece. De tempos em tempos, uma mensagem que geralmente combina elementos de autenticidade, relevância e criatividade atrai grande atenção dos usuários das redes, transborda para a mídia tradicional e nivela o campo entre indivíduos e corporações, muitas vezes com resultados inesperados para estas últimas. É o que ilustra de forma exemplar o caso recente envolvendo o guitarrista canadense Dave Carroll e a United Airlines.

A história, na versão do músico, é a seguinte: em 2008, Carroll viajava pela United com sua banda para um concerto nos EUA. Durante uma escala em Chicago, testemunhou ao lado de outros passageiros sua guitarra sendo jogada de um lado para o outro pelos carregadores de bagagem da empresa. Chegando a seu destino, constatou que o instrumento - no valor de US$ 3.500 - havia sofrido graves danos. Contatada, a United não negou o incidente, mas ao fim de nove meses de evasivas, recusou-se a assumir a responsabilidade pelo prejuízo. Como resposta, Carroll produziu um vídeo satírico batizado de United Breaks Guitars (United Quebra Guitarras), em que reconstitui o episódio.

Postado no YouTube no último dia 6 de julho, o vídeo já acumula mais de 3 milhões de visualizações e 15 mil comentários. Para efeito de comparação, o vídeo mais visto no canal da United, no mesmo YouTube, conta apenas 86 mil visualizações e 45 comentários. O assunto foi objeto de centenas de comentários negativos no Twitter e na página não-oficial da empresa no Facebook, e foi notícia em Jornais de grande circulação nos EUA. Em menos de dois dias de sua postagem, trechos do vídeo chegaram a ser exibidos em cadeia mundial pela CNN.

Amostra de resultados de busca no Twitter, 17/07/2009 às 13:17

São números muito expressivos, mas é preciso colocá-los em perspectiva. Certamente não é razoável supor que um único vídeo musical/humorístico, seja qual for a sua popularidade, possa arruinar a reputação de uma organização do porte da United. Por outro lado, fica para o público em geral a impressão de que a empresa poderia ter lançado mão dos vários canais à sua disposição para posicionar-se com mais agilidade, apresentando os esclarecimentos que julgasse apropriados. Na chamada “sala de imprensa” do portal corporativo, por exemplo, o assunto não recebeu qualquer menção. Apenas no dia 10, quando literalmente milhares de reações negativas já haviam sido registradas, a United contatou Carroll oferecendo uma indenização pelo prejuízo. A pedido do músico - também feito via YouTube, claro -, o dinheiro foi doado a uma ONG, e só então o acordo foi devidamente divulgado no perfil da empresa no Twitter.

É interessante constatar que o caso, apesar de toda a sensação que tem causado, já dá sinais de estar próximo de uma curva descendente. Mas deixa - e isto é uma boa notícia - elementos de sobra para que a United e outras empresas se preparem melhor para situações semelhantes envolvendo suas marcas. Comentando o caso para a Adweek, o consultor Joshua Hammond lista alguns deles, com os quais concluo este post (grifos meus):

“Neste momento, o vídeo aparece em terceiro lugar na busca do Google para “United Airlines”, e deve continuar a incomodar a empresa por um bom tempo. A United precisará produzir uma tremenda quantidade de conteúdo positivo para tirá-lo de lá.”

“Já que há um enorme volume de conversação envolvendo a marca, a companhia deve aproveitar a oportunidade de ouví-la cuidadosamente, identificando detratores e defensores. Onde postam? O que falam sobre a United? Como discutem empresas aéreas em geral? O que esperam delas? Há oportunidades de engajamento?”

“A lição para os gerentes de marca é que, se a sua marca já enfrenta um sentimento negativo por parte dos clientes, ela é particulamente vulnerável a ataques. Portanto você precisa adotar medidas muito rápidas para protegê-la.”

segunda-feira
29 junho, 2009
por Leandro Cervantes

Brasil: 50% dos usuários de internet da América Latina e segundo país com mais blogs em serviço do Google

Um estudo feito pela consultoria Everis em parceria com a Escola de Negócios da Universidade de Navarra (IESE Business School), aponta que dos 1,6 bilhão de usuários de internet no mundo, 10% estão na América Latina e, desse número, praticamente a metade está no Brasil.

Segundo o levantamento, os internautas brasileiros já somam 76,2 milhões dos 159 milhões na América Latina. O estudo, feito com base nas estatísticas da União Internacional das Telecomunicações (ITU), aponta um número maior que o do Ibope, que em maio apontou 62,3 milhões de usuários brasileiros com acesso à internet em qualquer ambiente (residência, lan-houses, trabalho, telecentros, escolas e bibliotecas).

Dos 44 países avaliados pela pesquisa entre 2000 e 2008, apenas nove tiveram um aumento no número de usuários a um ritmo superior a 40% por ano, entre estes, os representantes latino são: Brasil, Colômbia, Cuba e Paraguai. No geral, os países que apresentaram maiores índices de crescimento foram o Paquistão e Marrocos, com 57,6% e 56,2%, respectivamente.

O Brasil é o 5º país do mundo em número total de pessoas que navegam na rede, ficando atrás da China (285 milhões), Estados Unidos (234,4 milhões), Japão (89 milhões) e Índia (86,2 milhões).

E o que os internautas brasileiros acessam na web?
Apesar de o levantamento da Averis não ter abordado a questão do conteúdo ou tipos de site mais navegados, como já comentamos aqui no blog em diversas ocasiões, o brasileiro é um dos povos mais (intera) ativos nas mídias sociais da internet. E uma mais uma mostra desse perfil do internauta brasileiro é o fato do Brasil ser também o segundo país com mais registros no Blogger, o serviço de publicação de blogs do Google. A informação foi divulgada pelo diretor executivo da plataforma, Rick Klau, em um post sobre os 10 anos do serviço, que pode ser lido aqui (em inglês).

sexta-feira
3 abril, 2009
por Leandro Cervantes

Brasileiro dedica três vezes mais tempo à internet do que à TV

O Brasil está mesmo entre os campeões em tempo de navegação na web. Agora, além do Ibope Nielsen – que aponta o país como um dos que passam mais horas conectados – uma outra fonte vem confirmar esse fato. De acordo com uma pesquisa recente da consultoria Deloitte, os brasileiros gastam, em média, três vezes mais tempo por semana navegando na internet do que assistindo à televisão.

Chamada de “O Futuro da Mídia”, a pesquisa, que foi feita em cinco países (Estados Unidos, Brasil, Alemanha, Japão e Reino Unido) e ouviu nove mil pessoas, traz números interessantes:

  • Enquanto a TV consome, semanalmente, 9,8 horas, a internet fica com nada menos que 32,5 horas semanais;
  • 81% dos cerca de mil respondentes da pesquisa no País apontaram o computador como o meio de entretenimento mais importante;
  • 50% afirmaram que acompanham as últimas tecnologias e os lançamentos de novos aparelhos e que tentam comprá-los rapidamente;
  • 82 horas por semana é o tempo gasto atualmente pelos consumidores utilizando diversos tipos de mídia e entretenimento tecnológico, como o celular;

Com base nesses números, a pesquisa da Deloitte afirma que o “Brasil é um mercado jovem e que apresenta amplo crescimento em termos de consumo de mídia”.

E que os internautas brasileiros tanto fazem na Internet?
Aqui está outro ponto interessante levantado pelo estudo: cerca de 83% das 1.022 pessoas ouvidas pela pesquisa no Brasil disseram criar seu próprio conteúdo de entretenimento, por exemplo, editando fotos, vídeos ou músicas.

Ou seja, pode-se dizer que de todo o tempo gasto na web, boa parte dele é dedicada à produção e compartilhamento de conteúdo na mídias sociais, já que essas fotos, vídeos e músicas feitos pelos próprios usuários muito provavelmente vão acabar publicadas em blogs e sites como o YouTube ou Flickr.

Atualizado em 16/04/2009:

A pesquisa na íntegra está disponível para download no site Tela Viva, dividida em quatro arquivos PDF: O Estado da Democracia na MídiaPublicidadeProdutos de MídiaAtividade Social/Viral.

quarta-feira
18 março, 2009
por Leandro Cervantes

Brasileiros estão entre os mais ativos socialmente na web

Como já falamos em outros posts aqui no blog, o Brasil é um dos campeões no uso de redes sociais no mundo. E agora, uma nova pesquisa divulgada pela Symantec, multinacional da área de segurança da informação, nesta terça-feira traz mais uma confirmação do gosto do internauta brasileiro pelos sites de relacionamento e sociabilização online.

O estudo, chamado Norton Online Living Report, indica que os brasileiros têm em média mais amigos online e passam mais tempo em sites e aplicativos sociais e de relacionamento que internautas de outros países.

Cada usuário adulto de internet no Brasil tem em média 66 amigos, enquanto a média global é de 41 amigos, segundo a pesquisa. Além disso, as crianças e jovens brasileiros com idade entre 8 e 17 anos são os internautas que passam mais tempo na web (70 horas mensais, em média). E o mais interessante: de todo esse tempo, 13 horas são dedicadas a relacionamentos e sociabilização online, recorde entre os usuários de internet do mundo na mesma faixa etária.

Os internautas adolescentes brasileiros são também os que mais toleram a participação dos pais em sua vida online: 70% dizem ter contatos familiares em programas de mensagem instantânea e redes sociais, o que é considerado um índice elevado.

Veja mais alguns dados interessantes:

  • 82% dos internautas adultos brasileiros afirmam que a web melhorou seus relacionamentos;
  • 78% usam a internet para retomar o contato com amigos antigos;
  • 77% afirmam que a web facilita o contato com a família;
  • 74% dos adultos no Brasil enviam mensagens instantâneas a familiares pelo menos uma vez por semana, enquanto que a média mundial é de 43%.
  • Os internautas brasileiros são os que passam mais tempo compartilhando fotos online - cerca de quatro horas por semana.
  • No Brasil, 37% dos internautas adultos comentam ou criticam as idéias de outras pessoas na web, contra 20% na média global.

O estudo envolveu 9 mil adultos (acima de 18 anos) e 2,6 mil crianças e jovens (de 8 a 17 anos). Além do Brasil, a pesquisa ouviu usuários da França, Austrália, China, Canadá, Alemanha, Japão, Índia, Itália, Suécia, Estados Unidos e Reino Unido.

A pesquisa completa (em PDF) está disponível para download no site da Symantec.

quinta-feira
15 janeiro, 2009
por Leandro Cervantes

Número de adultos em redes sociais quadruplica em 4 anos, nos EUA


Um estudo do Pew Internet & American Life Project divulgado hoje, aponta que o total de adultos dos EUA que criaram um perfil em sites de redes sociais aumentou mais de quatro vezes nos últimos quatro anos, passando de 8% em 2005 para 35% em 2008.

Porém, os adultos mais jovens ainda são os que tendem a participar mais dos sites de relacionamento. Entre os internautas na faixa de 18 a 24 anos, 75% possuem perfis em redes sociais, número que cai para apenas 7% entre os adultos de 65 anos ou mais. A segunda maior participação é dos usuários de internet com idade de 24 a 34 anos: 57% deles estão nas redes.

Apesar de a pesquisa ser relativa ao uso americano da internet, é como sempre digo, não deixa de ser uma referência para algumas tendências de comportamento dos internautas em geral.

Para quem se interessa pelo assunto, vale a pena conferir o estudo completo (em PDF), que apresenta ainda dados por gênero, raça, renda e nível educacional, entre outros.

Alguns pontos interessantes da pesquisa:

  • 37% dos adultos que participam de redes sociais dizem acessar seus perfis diariamente;
  • O uso pessoal das prevalece sobre o profissional: 50% dos adultos têm perfil no MySpace e 22% no Facebook, contra apenas 6% no LinkedIn, a rede social dedicada a  perfis e contatos profissionais mais popular da internet.
  • 51% dos adultos usuários de redes sociais possuem mais de um perfil online, e, geralmente, cada perfil está em um site de relacionamento diferente.
quinta-feira
27 novembro, 2008
por Leandro Cervantes

Mais da metade dos internautas brasileiros usam widgets

O diretor da comScore para a América Latina, Alex Banks, fez ontem uma apresentação online (webinar) sobre como anda o uso da internet no Brasil e na América Latina, as principais tendências e o comportamento dos usuários. Alguns dados são das últimas pesquisas divulgadas pela comScore, que comentei aqui e aqui, porém a apresentação traz  mais detalhes e análises da consultoria, que é uma das pioneiras e mais conceituadas em medição e análise de dados da web.

Com relação às mídias sociais, um dos pontos que mais chama a atenção é a disseminação do uso de widgets. Segundo a comScore, mais da metade dos internautas brasileiros (51,9%) usam algum desses pequenos aplicativos de interface gráfica que podem ser inseridos em sites, blogs e redes sociais.

Na apresentação, Alex Banks destacou que os brasileiros são muito mais propensos ao uso de redes sociais e blogs do que a média dos internautas no mundo, o que faz com que o uso de Widgets por aqui também esteja acima da média mundial.

Isso mostra que boa parte dos usuários da web já está familiarizada com este tipo de tecnologia, o que abre boas possibilidades para estratégias de marketing em redes sociais. Empresas, por exemplo, podem desenvolver Widgets com suas marcas (e muitas já têm feito isso) com algum serviço do interesse de seu público alvo. O que em ambientes colaborativos funciona muito mais do que a mera propaganda.

Quem quiser pode baixar o PDF da apresentação (em inglês) aqui. Abaixo, outros pontos interessantes da apresentação sobre mídia social:

  • As redes sociais já atingem 85% da audiência online no Brasil – um dos maiores índices de visitas a sites de relacionamento do mundo;
  • Fora a liderança absoluta e incontestável do Orkut no Brasil, na maioria dos países da América Latina quem lidera é o Facebook, com mais de 60% da preferência dos usuários no Chile e na Colômbia e quase 50% na Venezuela;
  • Líder global, o Facebook ainda não chega a ser um “player” no mercado brasileiro, apesar de já ter sua versão em Português há algum tempo;
  • A grande maioria dos visitantes de sites de fotos, e vídeo como Flickr, Fotolog e YouTube são também usuários do Orkut.
  • O Sonico, apesar de aparecer como a terceira rede social mais popular no país, detém menos de 12% da audiência online, e o mais incômodo: 94% de seus visitantes também visitaram o Orkut;
segunda-feira
24 novembro, 2008
por Leandro Cervantes

Brasil: 85% dos internautas visitaram redes sociais em setembro

A consultoria comScore, especializada em estatísticas do mundo digital, divulgou na semana passada um estudo sobre o uso da internet no país, onde o grande destaque foi o uso das redes sociais, apontadas com um das categorias mais populares da internet por aqui.

Segundo a pesquisa, 85% dos brasileiros com mais de 15 anos que acessaram a internet (de casa ou do trabalho) em setembro visitaram uma rede social. O que representa um aumento de quase 10% sobre os 76% registrados em setembro de 2007. E esse número é ainda mais significativo se a gente levar em conta o aumento do próprio número de usuários da rede.

Para se ter uma idéia, hoje, o país tem cerca de 40 milhões de internautas ativos, segundo dados de agosto do Ibope Net/Ratings, o que resultaria, grosso modo, em mais ou menos 34 milhões de pessoas acessando redes sociais.

Globalmente, a gente também não fica atrás. Comparado com os principais países usuários de internet, em porcentagem, o Brasil aparece em segundo lugar no acesso a sites de relacionamento, pouco abaixo do Canadá, com 87%, e na frente do Reino Unido, México, Espanha e Estados Unidos.


Para Alex Banks, diretor da comScore para a América Latina, os números mostram que uso das redes sociais continua muito popular e a crescer por aqui. E uma das razões possíveis para isso, segundo disse ele no release de divulgação da pesquisa (em inglês), é o fato “do conceito de comunidades online estar alinhado com a cultura local, centrada num forte senso de comunidade e atividades sociais”.

E adivinha qual a rede social mais acessada no Brasil?
Claro, não podia ser diferente. O Orkut aparece disparado na frente com 21 milhões de visitas únicas em setembro. Segundo a pesquisa, os usuários da rede passaram, em média, 496 minutos no site durante o mês.

É curioso notar também que em segundo lugar (ainda que bem distante) vem o Yahoo Geocities, seguido da recém chegada Sonico, criada pelos nossos hermanos argentinos; e que os grandes (pelo menos lá fora) MySpace e Facebook estão entre os últimos da lista.

sexta-feira
3 outubro, 2008
por Leandro Cervantes

Cyberperiferia: a internet chega às Classes D/E

O barateamento dos computadores e a proliferação das LAN Houses pelas periferias do Brasil, nos últimos anos, provocaram um dos fenômenos mais interessantes acerca da utilização da internet no país: o seu uso pelas classes populares, que tem se intensificado cada vez mais.

Segundo os dados mais recentes do Comitê Gestor da Internet no Brasil (relativos a 2007), graças à explosão do acesso em LAN Houses, 38% das pessoas da classe C, e 14% das classes D/E, já usam a web com certa regularidade. O que significa um crescimento de praticamente 100% do uso da internet na base da pirâmide social, nos últimos 2 anos. Em 2005, o percentual de integrantes das classes D/E que utilizavam a rede era de apenas 7%. (O levantamento completo está disponível em PDF para download gratuito)

E o que as classes populares mais acessam ou procuram na internet? De acordo com o estudo: sites de relacionamentos e comunidades, como o Orkut; busca de emprego; games (tanto para jogo online quanto para download) e pesquisas escolares.

Esse incrível crescimento da utilização das tecnologias digitais pelas classes populares no Brasil pode impulsionar ainda mais o uso das tecnologias da Web 2.0, na qual o Brasil já é um dos campeões. Segundo afirma Marcelo Coutinho, diretor-executivo do IBOPE e professor de pós-graduação da Fundação Cásper Líbero, em artigo publicado no IDGNow, a entrada desse novo grupo de consumidores no mundo digital, principalmente por meio das redes sociais, também acabará por levar as empresas envolvidas em toda a cadeia de comunicação a repensarem suas estratégias de negócio nos próximos anos.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o assunto, vale a pena ler também este outro artigo de Coutinho, publicado no Idéia 2.0.